A BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, é considerada a segunda pior estrada do Brasil (só perde pra Transamazônica).
Estávamos sozinhos e o risco seria altíssimo!

Jair Medeiros, de P.Velho, se prontificou a nos ajudar: nos colocou em contato com o Adriano que cruzou a 319 uma vez (o que já é uma grande experiência!).
Começava aí uma bela CORRENTE ENTRE JIPEIROS de Manaus e Rondônia.

Cleomano, também experiente na 319 e pai da Duda, esta linda jipeira, disse:
"Sozinhos vcs não vão, nós vamos juntos!"
I-N-A-C-R-E-D-I-T-Á-V-E-L!
Mais ainda quando descobrimos que já éramos um grupo:
Cleomano, Duda e Ericka, Adriano e Elizângela! Opa!
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Agradecemos também ao Moisés por todo apoio, sem ele nenhum jipe pegaria a estrada.
Valeu, Moisés!

Um abraço para o Luis, um velho amigo que reencontramos aqui, por acaso.
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Saímos de Manaus no domingo, 28/09, à tarde.
Não sabíamos quantos dias levaríamos para percorrer os 640km até Humaitá, nem quais eram as condições da estrada, pois havia chovido muito.
Tudo era uma incógnita!
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O "Encontro das Águas":
Rio Negro e Solimões formando o
RIO AMAZONAS.

Um temporal nos fez dormir em Castanho, a última cidade com posto de gasolina, pousada e ...

comida.

Daqui pra frente, só Deus sabe!
Tem gente que fica semanas preso na lama ou com o carro quebrado.

E lá vamos nós!

Este é o nosso BRASIL!


No começo a estrada estava ótima...

devido à força do EXÉRCITO (6o. Btl).

Sem o exército, o asfalto ia sendo substituído naturalmente pela terra.

As TORRES DA EMBRATEL são pontos de apoio, de 20 em 20km, com telefone.
Aventureiros usam a área para acampar.
Levamos um TELEFONE VIA SATÉLITE, gentilmente emprestado pela empresa STOCK TOTAL, o que nos deu maior segurança.
Obrigado, Nelson!

Áreas embargadas, obras embargadas pelo Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.
Será que algum dia ele já passou por aqui?

Paramos para tirar foto numa das mais de 130 pontes e não é que bem debaixo daquela tinha um ÍNDIO?!

Ele começou a gritar em castelhano
"Perro, Perro, vá embora, Perro!"Pegou uma pedra e tampou na land (estava armado)!
O maior susto!
Saímos correndo de um índio estrangeiro em nosso próprio país!
Ahrrrr, que raiva!

Em Igapó-Açu, os horários da balsa.
Lá tem banheiro!

O Eduardo, escultor.

Paramos ali naquele povoado e estreiamos o nosso novo GLICOSÍMETRO (mede a glicemia, açúcar no sangue, diabetes)!
Doação da querida amiga Ana Luíza Benez! Valeu, Nica!
Suspeita de DIABETES: valores >= 126mg/dl em jejum ou >=200mg/dl sem jejum.

A nossa presença foi "um evento"!

E a estrada ia sendo devorada pela FLORESTA AMAZÔNICA!

E só o fato de estar lá já era uma VITÓRIA!

Mas, de repente, chegamos na PONTE QUE CAIU!
Sete dias antes uma carreta despencou com trator em cima.
E agora?!
Um "esboço" de ponte ao lado precisaria de reforços.

Mas os trabalhadores não estavam muitos dispostos... só aceitaram ajudar em troca de atendimentos médicos!

E depois de 2 horas suadas, a tentativa:
raspando no tronco, o Troller passou!
A ponte rangeu bem em alguns pontos.
Mais reforços (e muita reza!).

E com quase 3 toneladas lá foi a land!
Uma "geleira" na barriga, afinal tudo nosso estava lá dentro, era a nossa casa!

Mas deu certo e foi uma festa!

E o escambo foi feito.

Deixamos alguns remédios e seguimos em frente.

Descanso para o almoço.

É indescritível estar lá, cruzando a Amazônia!
A estrada é perigosa não porque tem assaltos, mas porque é DESERTA!
Não tem praticamente ninguém, nem posto, nem comida, nem mecânico.

Cruzamos com o primeiro carro no final do dia!

E a PRIMEIRA ATOLAGEM aconteceu quando a "equipe feminina" dirigia...
Se me mandaram pilotar fogão?!
É claro!

Salvos pelo Cleomano!
Ficam aqui minhas desculpas, só descobri no final que ele tinha que deitar debaixo do Troller para ativar a tração.

E deixei o jipe atolar mais 2 vezes!
Foi mal...

Uma paradinha, literalmente, no meio da "rodovia".

E tem gente muito mais doida:
cruzamos com uma Kombi lotada! Eita!

Passamos a noite dirigindo, fizemos revezamento e apesar do cansaço, a ansiedade era maior!
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Pegamos um pequeno (e bom) trecho da Transamazônica, depois de 640km de BR-319!
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Depois de 38 HORAS, chegamos a Humaitá-AM (podres e felizes)!
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Descansamos um pouco e aí nosso "comboio de dois", infelizmente, teve que se separar.

Nós da land, seguimos para Porto Velho, ainda faltava muito chão!

A Elizângela e o Adriano vieram com a gente.
Esta guerreira, veio desde Manaus assim, no "conforto", aos trancos e barrancos e sem reclamar!
Movidos pela saudade da filha Letícia que, em Porto Velho, teria uma surpresa.

E outros também mais malucos que o pessoal da Kombi são estes três:
Cleomano, Ericka e Dudinha
que voltaram sozinhos pra Manaus, em 20horas!
Malucos de coração gigante, estes cinco se dispuseram a nos apoiar desde o começo, sem nos conhecer direito, colocaram suas vidas em risco, se desprenderam dos compromissos e nos deram as mãos como amigos verdadeiros, como IRMÃOS!
É impossível descrever o vínculo que se cria em tão pouco tempo, sentiremos saudade ainda por algum tempo, até a gente se encontrar de novo.
Valeu, amigos! Até a próxima!
Ah! Dudinha: "bate-rebate, se liga que eu sou Paty!"